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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
MUNDIAL INTERCLUBES - O futebol brasileiro que perdeu, não só o Santos
Ao final daquele fatídico jogo entre Barcelona e Santos, quem perdeu não foi só o Santos, mas o futebol brasileiro que ele representava.
As gozações são iminentes e válidas, afinal de contas é um direito de cada rival, porém, a análise que faço é um pouco mais profunda.
Desde sempre, o Santos paga caro seja com investimentos, seja com apostas na base ou em jogadores promissores que possam valorizar seu status de time formador de craques e manter o padrão de jogo bonito que o fez ser conhecido e como um dos melhores times do mundo.
O Barcelona não jogou com todo o respeito, com a Portuguesa de Desportos campeã da série B do brasileiro. Jogou contra o campeão da Copa Libertadores da América, o que se pressupõe seja o melhor time do Brasil.
Entendo que do nível do Santos possamos encontrar outros times brasileiros, mas melhor não. Isto nos faz supor que qualquer adversário que fizesse frente ao Barcelona, perderia o jogo, por igual, menos ou maior placar que foi este que assistimos.
Culturalmente o Santos é quem sempre privilegiou o futebol bem jogado. Num tempo mais recente, o time de 2002 tinha somente um volante e zagueiros e laterais que jogavam muito. Na linha mediana, somente Paulo Almeida e ao seu lado, Renato e Elano ajudavam Diego na armação.
Mais recentemente o time de Dorival em 2010 teve o melhor quadrado do meio campo brasileiro, que municiava um ataque com Neymar e Robinho e quando não alternava o ataque com Madson e até Maicon Leite, velocistas.
As mexidas do Dorival era sempre no sentido de mudar ou melhorar o resultado do jogo. Improvisava o Madson na lateral, fazia atacantes voltar no meio e até somente com um defensor jogamos alguns jogos, pois dizia ele que se num jogo precisasse de alguém se sacrificar por outro que machucou ou fosse expulso, poderia contar com alguém já treinado.
Ocorre porém, que este time incomodou sistemas de muitos técnicos, incomodou a imprensa que tem pseudos-jornalistas que preferem privilegiar seus times independente da sua fase, a dar ênfase ao futebol bem jogado e até jogadores que não teriam lugar num time melhor.
O que os técnicos fizeram com o nosso futebol, foi colocar brucutus pra marcar talentos, zagueiros pesados e sem recursos que isolam a bola pra lateral ou através de chutões para o ataque para que dê certo o futebol de resultados, privilegiando o contra-ataque ou jogadas de bola parada.
Os passadores que não dão combate estão fora deste perfil e por isto vimos o torcedor vibrar com jogadores que dão carrinho e saem com a bunda verde de arrastos na grama, dando soquinhos de vibração e gesticulando com cara de mal pra torcida incentivar, e lógico, a torcida aplaude e grita o nome do cara.
O mesmo se faz com chutões para a arquibancada, encenações para expulsões e a reclamação, quase súplica por cartões amarelos, como se o oponente precisasse ser enfraquecido para que pudessem ganhar o jogo. Isto no discurso para a imprensa no intervalo ou pós-jogo chama-se “Garra e Determinação”.
Os times que não dispõem de talentos forjados em casa e que precisam de resultados para seus patrocinadores e seus torcedores sem paciência, tem que fazer dar certo este tipo de futebol. Por isto times como o de Dorival Jr., incomodava e tanto faziam para criarem crises no Santos de modo que o time fosse implodido, pois do contrário, ganharia tudo o que viesse pela frente e como ficaria enfim a situação deste times que precisam muito mais do que nós, estarem em evidência?
Relembrem, quantas crises foram criadas e inventadas de fora pra dentro no nosso elenco no sentido de desestabilizar e mudar o rumo que tínhamos conseguido num elenco extremamente capacitado.
Ocorre enfim que o Santos pela sua tradição é um time de nível mundial e não regional.
Torcedores, mídia e alguns dirigentes, imaginam e fazem times para a disputa regional e neste quesito digo futebol brasileiro, seja Copa do Brasil ou Brasileirão. E o futebol de resultados foi inventado a partir de táticas estrangeiras que inventaram para ser o único meio de parar times talentosos. Isto foi trazido para que técnicos tivessem não só resultados, mas também se mantivessem no emprego, pois a impaciente torcida cobra por resultados e títulos que não vem. É mais fácil trocar o ténico do que mandar embora jogadores medíocres.
O Santos que queríamos ver contra o Barcelona é o de 2010 e não o de 2011. Muitos sugeriam nas rodas jornalísticas este confronto.
Só que o tempo passou e o Santos mudou quase tudo. Saiu do seu futebol arte para o futebol de resultados. Abriu mão do seu técnico de 2010 e após algumas tentativas, chegou a Muricy, o único capaz de ajeitar a casa já toda desfacelada interna e externamente, com jogadores tomando conta do elenco e alguns jogando só com o nome sem nenhuma condição.
Dizia-se até que alguns técnicos neste processo não treinava coletivo pra não expor alguns jogadores ao ridículo de enfrentar Neymar.
A diretoria aparentente, fingia não ver ou sempre tentou levar na diplomacia, esta ação que vinha de fora pra dentro, até mesmo da imprensa em privilegiar seus times medícores ao futebol de espetáculos apresentado pelo Santos ou qualquer outro time. Em 2011, chegaram ao cúmulo de inventar Ganso no Corinthians e Neymar em vários times do mundo.
De 2010 pra 2011 a diretoria privilegiou focar manter Ganso e principalmente Neymar no elenco, como se sómente os dois fossem capazes de jogar por 09 jogadores medianos ou medíocres. Abriu mão de jogadores entrosados que de 5 em 5 anos é que aparecem juntos num mesmo elenco. Sairam Marquinhos, Wesley, Madson, Alecsandro, Jhonattan, Love, André e tantos mais, que obstante a qualidade ténica de um ou de outro, eram importantes naquele esquema tático vitorioso.
Não foram capazes de administrar a crise Dorival Jr e Neymar por causa de um jogo contra o corinthians que vinha pela frente e a corda arrebentou pelo lado mais fácil, quebrando enfim o principal inventor e articulador de uma filosofia de jogo que até então funcionava a olhos vistos no Santos Futebol Clube.
Tenho certeza que os adversários, e alguns pseudos-jornalistas vibraram mais com estes fatos que com a derrota contra o Barcelona, pois olhando bem em termos de resultados, a vitima lá poderia muito bem ser um deles. O resultado não seria diferente.
O que enfim precisamos mudar é a cultura de quem faz e vive do futebol, além de nós torcedores.
Procurar aplaudir quem joga diferente, quem mostra a arte e vaiar os ruins de bola que pra alguns times são considerados heróis. Exigir da sua diretoria seja através dos jogos ou de protestos que seu clube possa ter um time no mesmo caminho do melhor.
Muita coisa enfim deve ser feita pra melhorarmos o futebol brasileiro como um todo, mas como disse em especial culturalmente.
Caso contrário, veremos a decadência respingada nos times e na seleção brasileira que este ano deu vários vexames e times como o Flamengo com Ronaldinho Gaucho e tudo, tomar de 4 em pleno Maracanã.
E se perdermos a hegemonia sul-americana para times como LDU e Universidad del Chile, fazer uma campanha vexatória no Mundial em pleno Brasil não é nada dificil.
Times que são tradicionalmente campeões regionais poderiam buscar crescer e times considerados de âmbito mundial, devem continuar investindo em seus talentos, sem interferencias ou sabotagem.
Logo um dia quem sabe, recuperaremos a excelência.
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terça-feira, 12 de abril de 2011
Quem pagará o Pato? Ganso ou Pavão?
Paulo Henrique preferiu ser chamado de Ganso.
Um apelido escolhido pra não esquecer sua origem, de como era chamado na categoria de base tão logo chegou ao Santos.
Tal fez recentemente Lucas que antes era chamado de Marcelinho, o futebol de Paulo Henrique decolou junto com seu apelido.
Uns o chamam de PH, bem assim na intimidade, mas quando o assunto é sério, é de Ganso mesmo que o chamam.
Ganso se consagrou em 2010 nas finais do paulista e foi figura importantíssima na campanha da Copa Brasil daquele mesmo ano.
Era ele, seu parceirinho Neymar e "Companhia Talentosa"(*), diga-se de passagem que os levaram ao auge.
Com seu estrelato veio a fama, o dinheiro, as abordagens, as investidas, a nova casa, o novo carro e tudo o que alguém que chega ao apogeu no futebol poderia querer.
Porém, tempos depois, em pleno campeonato brasileiro e num dia fatídico Ganso se machuca. Lesiona o joelho e sai de cena de cabeça baixa e triste.
Em março de 2011, seis ou sete meses depois, a tão esperada volta do Ganso acontece. E que volta. Com direito a passe milimétrico e o gol da virada santista.
Em poucos minutos em campo e o mundo inteiro concluiu, Ganso está de volta. Que bom para o futebol.
Como no samba famoso de Paulinho da Viola entretanto, havia um porém. “Porém, ai porém...Paulo Henrique não era mais o Ganso que todos conheciam. Ganhou corpo, massa muscular, plumagem e postura diferente. Havia se transformado num Pavão.
Pavão, aquela ave ornamental que tem como exigência principal o poleiro.
Apesar da bela partida deste recomeço, os jogos seguintes foram marcados pela desconfiança geral.
Um tanto da sua torcida acha que está com a cabeça longe e que está tirando o pé e ao meu modo de ver é que vai demorar para PH virar Ganso novamente.
Enquanto o futebol não reaparece, o Pavão vive da fama do Ganso, aquele de 2010, com direito a polêmicas, forçações de barra para ser vendido e outras fofocas mais agudas.
Gostaria sinceramente de ver o Ganso de volta, sem polêmicas, sem frescuras e jogando aquele futebol participativo e decisivo que um dia jogou. Não só para o bem do Santos como da seleção brasileira.
Esta coisa de especulações na mídia e o balaio de fofocas em que se transformou sua carreira, não condizem nada com o seu futebol ético e moral que já jogou e pode ainda se Deus quiser jogar.
Este Pavão que está aí vive como disse de pose, de status daquilo que um dia foi.
No começo da carreira quando era aquele patinho feio, o vi e achei que tinha um potencial como daqueles artistas canhotos como Ailton Lira e Pita. Mas me decepcionou um ano inteiro até desanimar de que era mais um fiasco no futebol.
De repente ressurge como um Fênix e acende pra carreira com um futebol vistoso, elegante e decisivo como um dia pude nele imaginar.
Se este Pavão de hoje puder com humildade ser o Ganso que sempre foi, ainda restará um tico de esperança pra quem gosta de futebol e da moralidade.
Sabedor da gravidade da sua lesão, acho que não será tão fácil assim. Mas por estas e por outras, é que ele não deveria estar na mídia falando sobre contrato se seu futebol ainda for esta coisa incerta.
Aí vejamos na encruzilhada em que se meteu:
Quinta-feira próxima dia 14 de abril de 2011 tem um jogo cujas fichas santistas estão depositadas nele e somente nele. Se acha-se assim maior ou igual a Neymar, se tem ciúmes ou não, se acha que lá fora o valorizam mais ele do que seu time de “coração”, se é amigo do Leonardo e fala todo dia com ele ou não, se vai pra times rivais ou não, se usa segurança ou não, se vai cumprir o contrato até 2015 ou não, se vão baixar sua multa ou não, o que estará em jogo é a sua capacidade de decidir sozinho em condições totalmente adversas, como o craque extraordinário que todos imaginam que foi e sempre será.
Se como no principio se portar como um patinho feio e deixar pairar qualquer dúvida e segurança no seu modo de atuar, sua carreira ficará sob suspeita pra todo o sempre.
Logo, o Pavão emplumado num dezembro precoce, perderá suas penas rapidamente e nós seus torcedores de plantão faremos a tão singela pergunta:
Meu caro Paulo Henrique, quem dos dois pagará o Pato? o Ganso ou o Pavão?
Torço para a vitória do Santos, pois
“Graças ao Nosso Deus do Céu, Somos Santos na Terra”
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